Clubinho da Árvore incentiva proteção ambiental em escolas do Maranhão
- acesabacabal
- 5 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Projeto envolve estudantes para promover a conscientização ambiental e o reflorestamento em comunidades maranhenses
Reportagem de Franci Monteles e Yndara Vasques, com fotos, imagens e edição de vídeo de Ingrid Barros. Produção de Rogério Albuquerque, edição de texto por Daniel Nardin, Nara Bandeira e revisão de Rodolfo Rabelo. Esta série especial do Amazônia Vox foi viabilizada em parceria com o Instituto Bem da Amazônia com o apoio da Fundação Avina e do WWF-Brasil, através do programa Vozes pela Ação Climática Justa.
“Aprendi desde cedo que nós podemos ajudar a natureza plantando árvores, não matando as plantas e não poluindo o meio ambiente”. O aprendizado é de Antônio Gabriel, 14 anos. Ele faz referência ao projeto Clubinho da Árvore, desenvolvido na Escola Família Agrícola João Evangelista de Brito, onde cursa o 9° ano do Ensino Fundamental. A escola fica no povoado de Cordeiro, em Pio XII, a 264 quilômetros de São Luís, no Maranhão.

Como dizia Nelson Mandela: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Para além do gesto de plantar mudas de árvores visando contribuir com a sociobiodiversidade, o Clubinho da Árvore, projeto voltado para crianças e adolescentes do campo em escolas da região do Médio Mearim, está semeando a consciência ambiental.
Ana Melissa Bogéa, 13 anos, também aluna do 9° na mesma escola que Gabriel, aprendeu desde os 10 anos a importância de semear e cultivar. “O Clubinho promove a preservação das sementes crioulas e o cuidado com o meio ambiente. Isso é muito importante para nós alunos porque, praticando esses atos, estamos ajudando a cuidar da natureza, o nosso bem mais precioso, as nossas riquezas naturais”, diz Ana Melissa.
A menina conta, com orgulho, que também partilha o conhecimento na comunidade onde mora, em Brejinho, povoado próximo da escola. “Levando este aprendizado para a nossa comunidade, a gente ajuda a contribuir com o bem-estar da gente, da natureza e a amenizar os efeitos do desmatamento e das queimadas que ocorrem na nossa região”, destaca a estudante.

Iniciativa sensibiliza crianças e adolescentes para questões ambientais
O Clubinho da Árvore é uma metodologia de trabalho que surgiu da necessidade de conscientizar crianças e adolescentes, a partir da produção de mudas para o reflorestamento de espaços comunitários. Tem sido um mecanismo importante na tentativa de minimizar os efeitos das mudanças climáticas onde é implantado. A iniciativa é desenvolvida em diversas escolas da região desde 2017 pela Agroecologia para Proteção das Florestas da Amazônia, organizada pela Associação Comunitária de Educação em Saúde e Agricultura (Acesa).
“A Acesa já vinha desenvolvendo um trabalho com as juventudes e com mulheres na região do Médio Mearim. Entendemos que era necessário sensibilizar também as crianças e pré-adolescentes para as questões ambientais, para começar a conscientização desse público, a partir da produção de mudas e reflorestamento de espaços comunitários”, explica a educadora e assessora técnica da Acesa, Rozália Silva.

Por meio desse trabalho, crianças e adolescentes começam a perceber na comunidade os espaços que precisam ser reflorestados. Aprendem o que são mudanças climáticas e a fazer o reflorestamento a partir do olhar delas. Um dos plantios feitos a pedido dos próprios estudantes foi em uma estrada que dava acesso à escola, pois o calor e o sol forte incomodavam ao longo do percurso feito a pé. “Elas pediram para a educadora que fossem plantadas árvores ao longo deste percurso. Essa ação foi feita por elas e a partir do olhar delas. Então já houve uma mudança de percepção e de comportamento”, observa Rozália.
Antes de colocar a mão na massa, ou melhor, na terra, as crianças e adolescentes passam por processos de formação em sala de aula, sobre os benefícios que o reflorestamento proporcionará à comunidade. O tema é trabalhado de forma transversal nas aulas pelos professores da escola. Depois de três meses, a equipe técnica da Acesa entra em cena para orientar as ações práticas de produção de mudas, compostagem, implantação de horta escolar e o reflorestamento.
A partir das formações que foram realizadas, conforme destaca Rozália Alencar, as próprias crianças passaram a identificar nas comunidades os espaços degradados e que precisavam ser reflorestados. Após o período de formação, tempo que as mudas ficam prontas, é iniciado o reflorestamento dos espaços.

A atividade do plantio envolve toda a comunidade e familiares. Elas apresentam a temática sobre os impactos e os aprendizados que tiveram, como por exemplo, os malefícios do agrotóxico para a saúde, de forma lúdica em forma de poemas, cordel e teatro. Também são distribuídas mudas para as famílias plantarem em seus quintais.
As mudas são escolhidas, a partir do que já se perdeu na comunidade, conforme o mapeamento feito pelos estudantes de frutas que existiam, inclusive em áreas degradadas pelo agronegócio. Sementes crioulas também são resgatadas e distribuídas, algumas doadas por agricultores familiares de vários povoados atendidos pela Acesa. Em algumas comunidades, o resgate se dá a partir de plantas medicinais e em outras, é necessário fazer o resgate de frutíferas ou de madeireiras, de acordo com a realidade local.

Educação e agroecologia
De acordo com Aldir Cajé da Silva, gestor da EFA João Evangelista de Brito, o Clubinho da Árvore juntou-se às demais atividades e ações que a instituição já trabalha, inseridas tanto para os estudantes como para as comunidades. A escola atua com os princípios da agroecologia na educação do campo por meio da pedagogia da alternância. Possui 61 alunos do Ensino Fundamental, divididos em várias turmas do 6° ao 9° ano, com faixa etária de 10 a 16 anos.

A produção de mudas desenvolvidas no Clubinho da Árvore atende a finalidade de diversificar ainda mais o sistema agroflorestal com plantas frutíferas que proporcionam a alimentação dos estudantes e também de espécies madeireiras para o equilíbrio ambiental.
O gestor da escola diz enxergar com preocupação as irregularidades das chuvas nos últimos tempos, o que segundo ele, representa a resposta da natureza para com as ações dos seres humanos ao desmatar e destruir as áreas de florestas com queimadas criminosas e uso de agrotóxicos.
“A escola é um local interessante de se ter essas discussões, porque a gente consegue atingir um público maior, crianças, pré-adolescentes e os familiares. É o local ideal para se discutir as consequências que estamos enfrentando”, diz Aldir, ao ressaltar que são poucos no estado os projetos com ações de reflorestamento que buscam minimizar essas áreas desmatadas.

Resumo da Solução
ProblemaAs mudanças climáticas e a degradação ambiental são problemas graves que afetam a região do Maranhão, com consequências como a irregularidade das chuvas e a perda de biodiversidade. A falta de conscientização e educação ambiental é um dos principais obstáculos para a proteção do meio ambiente.
RespostaO Clubinho da Árvore é uma iniciativa que visa conscientizar crianças e adolescentes sobre a importância da preservação ambiental e do reflorestamento. Desenvolvido pela Associação Comunitária de Educação em Saúde e Agricultura (Acesa), o projeto trabalha com estudantes de escolas da região do Médio Mearim, promovendo a produção de mudas e o reflorestamento de espaços comunitários.
Por que isso é uma solução climática?A educação ambiental é fundamental para a proteção do meio ambiente e a mitigação das mudanças climáticas. O Clubinho da Árvore é um exemplo de como a educação pode ser usada como ferramenta para promover a conscientização e a ação ambiental, contribuindo para a criação de uma sociedade mais sustentável e responsável.
Fonte: Amazônia Vox




Comentários